CRÓNICA DE UMA VIAGEM INTERNACIONAL CÁ DENTRO
por Jorge Domínguez e Antia CL

Nos passados dias 21 e 22 de abril de 2023, un grupo da EPAPU Eduardo Pondal da Corunha fizemos uma viagem de estudos às eurocidades Chaves-Verim e Vila Nova da Cerveira-Tominho, de caráter interdisciplinar e interdepartamental.
A ideia era fornecermos ao nosso heterogêneo alunado a possibilidade de realizarem uma saída mais além de uma simples visita extraescolar pontual, e dar-lhes assim a possiblidade de conhecerem outro país europeu; vizinho nosso, com profundas relações históricas, linguísticas e de relacionamento comercial e económico também na atualidade, que se materalizam numa das fronteiras mais permeável e movimentada de toda a União Europeia.
A viagem foi programada para desfrute de dois dias com durmida de uma noite na Pousada da Juventude de Vila Nova da Cerveira.
Começamos a saída didática numa das cidades com maior património histórico da nossa nação, Tui, antiga capital de província do extinto reino da Galiza. Depois de percorrermos a sua parte antiga, perdendo-nos entre o seu legado medieval cujas pedras rememmoram a relevância duma cidade que chegou a ser cabeça episcopal, terminamos na sé-catedral fortaleza.
O templo de estilo gótico, localiza-se no alto da cidade antiga, dominando de jeito majestoso a cidade. Ali comprovamos o caráter estratégico e defensivo do edifício e aprendimos a origem etimológica do topônimo Tui; Diómedes rei Aqueo bautizou este lugar assim, como lembrança do seu pai, Tydeo.
No interior observamos um templo com uma estrutura muito singular tanto pela sua amplitude como pela distribuição das suas naves, passeamos escutando com o audioguia algumas das suas histórias mais enigmáticas que guardam os robustos muros da catedral. Onde, numa das suas capelas impartia justiça Pedro Álvarez de Soutomaior, mais conhecido como “Pedro Madruga”, um dos nobres mais poderosos e sanguinários da Galiza baixomedieval. Por último conversamos e fotografamos algumas bonitas estampas no claustro da catedral, onde eram ouvidas, indistintamente, duas línguas estreitamente vinculadas tanto cultural como historicamente; galego e português.
Seguiu-se um almoço conjunto em Valença que culminou com uma visita a chover picaretas pela vila fortificada, o que não nos impediu de realizarmos algumas compras de atoalhados como manda a tradição.
Já à tarde, parecia que começava a escampar e a chuva ia dar uma trégua, mas como não era nada ao certo, a nossa guia da parte da tarde, Patricia, preferiu mostrar-nos e explicar-nos o museu do “Cabaqueiro” no Rosal (Tominho) em vez de irmos, como estava programado, encharcar-nos pela floresta afora na procura do jacemento arqueológico com petróglifos de “Tabagón”.
A visita alternativa resultou xpto! (um expetáculo!) e o alunado teve ocasião de conhecer uma gíria profissional em primeira mão. Em saindo do museu já todos estavámos desejosos de “plantarmos um salgueiro nalghún lugar”1!.
A acomodação na Pousada da Juventude2 de Vila Nova da Cerveira foi realizada com total normalidade e com a companhia e expetação de um curioso gatinho que insistia em vir ter connnosco aos quartos.
Faz da noite, noite; e do dia, dia e viverás com alegria!
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1-A expressão “plantar un salgueiro”, na gíria dos cavaqueiros, significava irse sen pagar dalgún lugar.
2-As Pousadas da Juventude são uma rede de alojamentos turísticos estatais de caráter económico e público que segundo o mesmo projeto: «As Pousadas de Juventude são parte de uma aldeia global de alojamento pensada para proporcionar experiências autênticas baseadas na aprendizagem, solidariedade e sustentabilidade. Cada uma das nossas 42 Pousadas de Juventude é um local de encontro e troca de experiências entre pessoas de diversas regiões, nacionalidades, idades ou ideologias, as quais, em 2020, receberam o selo Pousada de Juventude Segura, atribuído pela Direção-Geral da Saúde.»
